quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Boletim Meteorológico - Outubro 2011

As condições atmosféricas em Itajubá no mês de outubro de 2011, medidas na estação meteorológica automática localizada na UNIFEI, são apresentadas na Figura 1. Em outubro, a temperatura do ar média oscilou entre 15,9ºC e 24,2ºC (a média foi 21,1ºC). A maior temperatura máxima registrada foi 34,1ºC (dia 1º) e a menor temperatura mínima foi 11,6ºC (dia 21). As médias mensais da umidade relativa do ar e da intensidade do vento foram 71,9% e 0,7 m/s (2,5 km/h), respectivamente. Já a direção predominante do vento foi a norte. Em dezesseis dias do mês ocorreu precipitação, contabilizando um total de 162,8 mm. 
O mês de outubro marcou o início da estação chuvosa no estado de Minas Gerais. Enquanto no mês de setembro foi registrada precipitação total de apenas 5,8 mm, o total em outubro foi de quase 29 vezes maior do que no mês precedente.
A precipitação registrada nos dias 02 e 03 de outubro (Figura 1d) esteve associada com uma zona de convergência de umidade sobre o Brasil (Figura 2)




 

Figura 1 Variáveis atmosféricas medidas no mês de outubro de 2011 na estação meteorológica automática localizada no campus da Universidade Federal de Itajubá (latitude 22º 24’ 46” e longitude 45º 27’06”): a) temperatura (oC) máxima diária (vermelho), temperatura mínima diária (azul) e média diária da temperatura do ar (verde) a 2 m de altura, b) média diária da pressão atmosférica ao nível médio do mar (hPa), c) direção predominante do vento a 2,5 m de altura; C indica calmaria, d) totais diários de precipitação (mm) contabilizados entre 00 e 23:50 h, e) média diária da umidade relativa (%) a 2 m de altura e f) média diária da intensidade do vento (m/s) a 2,5 m de altura




 
Figura 2 Análise atmosférica do dia 02/10/11 às 18Z (15 horas local) mostrando uma Zona de Convergência de Umidade (linhas verdes que se estendem do sul da Amazônia até o oceano Atlântico). Fonte: GPT/CPTEC/INPE.






 O próximo período chuvoso do mês foi entre os dias 11 e 17 (Figura 1d). No dia 11, a passagem de uma frente fria pelo oceano favoreceu a formação de um cavado invertido no campo da pressão atmosférica (Figura 3)



Figura 3 Análise atmosférica do dia 11/10/11 às 18Z (15 horas local) mostrando um cavado invertido no campo da pressão atmosférica (linha amarela) na costa da região sudeste do Brasil. O cavado também se encontra conectado com uma frente fria (linha azul com triângulos). Fonte: GPT/CPTEC/INPE.






Esse sistema corresponde a uma área de baixa pressão que contribui para o aumento da nebulosidade e chuva. O cavado invertido predominou pelos dias seguintes. Porém, no dia 15, a chuva ocorreu, novamente, associada com uma zona de convergência de umidade (ZCOU; Figura 4). Neste dia, a ZCOU se conecta com uma frente fria localizada nas latitudes subtropicais do Atlântico Sul. A chuva registrada no dia 16 também foi decorrente da influência da ZCOU sobre o estado de Minas Gerais. 



Figura 4 Análise atmosférica do dia 15/10/11 às 12Z (09 horas local) mostrando uma Zona de Convergência de Umidade – ZCOU (linhas verdes que se estendem do sul de Rondônia até o oceano Atlântico). Sobre o oceano, a ZCOU aparece conectada com uma frente fria. Fonte: GPT/CPTEC/INPE.




No dia 17 a formação de um ciclone extratropical na costa da região sudeste do Brasil originou uma frente fria que atuou sobre o continente (Figura 5). Essa frente fez a temperatura diminuir ligeiramente em Itajubá bem como mudar a direção predominante do vento para quadrante sul (Figura 1). Além disso, foi responsável pela chuva no dia 17 (Figura 1d).  


 Figura 5 a) Análise atmosférica do dia 16/10/11 às 18Z (15 horas local) mostrando que não há ciclone na costa da região sudeste do Brasil. Porém, 06 horas depois (b) um ciclone é visível na análise bem como as frentes fria e quente que este sistema originou. Fonte: GPT/CPTEC/INPE.





A precipitação registrada entre os dias 25 e 29 esteve associada a cavados no campo da pressão atmosférica (sistemas de baixa pressão, Figura 1d). Já nos dias 30 e 31, com uma frente fria formada a partir de um ciclone no Atlântico Sul (Figura 6). No dia 30 a chuva foi pré-frontal, enquanto no dia 31, frontal.


  Figura 6 a) Análise atmosférica do dia 30/10/11 às 00Z (21 horas do dia anterior) mostrando que não há ciclone na costa da região sul do Brasil. Porém, 06 horas depois (b) um ciclone é visível na análise bem como as frentes fria e quente que este sistema originou. Fonte: GPT/CPTEC/INPE.





A Figura 7 mostra o percentual de nebulosidade associado a cada dia do mês. As menores porcentagens de cobertura de nuvens, em geral, ocorreram na primeira quinzena de outubro. Em média, a cada dia do mês, cerca de 54% da abóboda celeste esteve coberta por nuvens.


 Figura 7 Simulação numérica da cobertura de nuvens média diária na cidade de Itajubá em outubro de 2011.





A trajetória dos ciclones nos oceanos adjacentes a América do Sul é mostrada na Figura 8. Essa figura é obtida através de um programa que identifica mínimos de pressão atmosférica. Destaca-se a formação de pelo menos quatro sistemas próximos da costa sul do Brasil. É importante mencionar que o ciclone formado no dia 17 só foi identificado pelo programa no dia 18, devido ser um sistema fraco inicialmente. Já o sistema formado no dia 30 não foi registrado na Figura 8, pois devido ser inicialmente fraco acabou sendo identificado apenas no dia 31, mas como é estipulado no código que somente sistemas com mais de 24 horas devem ser plotados e uma vez que só é utilizado dados do mês em análise, o mesmo não cumpriu a exigência e acabou sendo eliminado da figura.


  Figura 8 Trajetória dos ciclones nos oceanos que circundam a América do Sul no mês de outubro de 2011. A posição de cada sistema em intervalos de 6 horas é indicada pelos círculos preenchidos. A posição inicial dos ciclones não apresenta marcador. A data de início dos sistemas que se formam próximo à costa brasileira é indicada na figura. Ressalta-se que a figura inclui apenas sistemas com tempo de vida superior a 24 horas.









Resumo informativo sobre o tempo em Itajubá
Programa de Graduação em Ciências Atmosféricas - Instituto de Recursos Naturais – Universidade Federal de Itajubá
n° 13 – mês de referência: Outubro/2011
Desenvolvimento: Profa. Michelle Reboita
Colaboração: Prof. Arcilan Trevenzoli Assireu
       
                     Thomas de Lucas Magalhaes Rosa e Silva
Coordenação: Prof. Marcelo de Paula Corrêa



sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Boletim Meteorológico - Setembro 2011

             As condições atmosféricas em Itajubá no mês de setembro de 2011, medidas na estação meteorológica automática localizada na UNIFEI, são apresentadas na Figura 1. Em setembro, a temperatura do ar média oscilou entre 14,8ºC e 24,5ºC (a média foi 19,5ºC). A maior temperatura máxima registrada foi 34,2ºC (dia 30) e a menor temperatura mínima foi 4,3ºC (dia 3). As médias mensais da umidade relativa do ar e da intensidade do vento foram 62,2% e 0,8 m/s (2,8 km/h), respectivamente. Já a direção predominante do vento foi a norte. Em quatro dias do mês ocorreu precipitação, contabilizando um total de 5,8 mm.

 Figura 1 Variáveis atmosféricas medidas no mês de setembro de 2011 na estação meteorológica automática localizada no campus da Universidade Federal de Itajubá (latitude 22º 24’ 46” e longitude 45º 27’06”): a) temperatura (oC) máxima diária (vermelho), temperatura mínima diária (azul) e média diária da temperatura do ar (verde) a 2 m de altura, b) média diária da pressão atmosférica ao nível médio do mar (hPa), c) direção predominante do vento a 2,5 m de altura, d) totais diários de precipitação (mm) contabilizados entre 00 e 23:50 h, e) média diária da umidade relativa (%) a 2 m de altura e f) média diária da intensidade do vento (m/s) a 2,5 m de altura.



             Em setembro, três frentes frias atuaram em Itajubá. O primeiro sistema (Figura 2) chegou na região no dia 10 e foi precedido da redução de cerca de 12 hPa da pressão atmosférica ente os dias 02 e 09 (Figura 1b). As temperaturas máxima e média do ar (Figura 1a) no dia 10 foram ligeiramente menores do que as do dia antecessor. A frente enfraqueceu sobre o sul de Minas Gerais no próprio dia 10, porém deixou a atmosfera instável o que contribuiu para a precipitação registrada no dia 11 (Figura 1d).

  Figura 2 Análise atmosférica do dia 10/09/11 às 06Z (03 horas local) mostrando uma frente fria (linha azul com triângulos) sobre o sul de Minas Gerais e com ramo estacionário (linha azul e vermelha intercalada) sobre  o centro-oeste do Brasil. Fonte: GPT/CPTEC/INPE.




               A segunda frente fria (Figura 3) que causou modificação nas variáveis atmosféricas foi a que atuou no dia 14. Esse sistema (dia 14) também causou uma ligeira queda das temperaturas máxima e média em relação ao dia anterior (Figura 1a), aumento da intensidade do vento (Figura 1f) e mudança da direção predominante do vento de quadrante norte para sul no dia da passagem da frente (Figura 1c).

  Figura 3 Análise atmosférica do dia 14/09/11 às 12Z (09 horas local) mostrando uma frente fria (linha azul com triângulos) chegando ao sul de Minas Gerais. Fonte: GPT/CPTEC/INPE.




O terceiro sistema frontal (Figura 4) chegou em Itajubá no dia 24. Na passagem dessa frente, as temperaturas e pressão atmosférica tiveram comportamento similar aos das duas outras frentes. Porém, tal frente favoreceu a ocorrência de chuva e o giro do vento de quadrante norte para sul no dia 24.

 Figura 4 Análise atmosférica do dia 24/09/11 às 18Z (15 horas local) mostrando uma frente fria (linha azul com triângulos) próxima ao sul de Minas Gerais conectada a um ciclone (indicado pela letra B). Fonte: GPT/CPTEC/INPE.




As frentes frias sobre a região sul de Minas Gerais foram responsáveis por dois dias de chuva (11 e 24) em Itajubá. Já a chuva ocorrida nos outros dois dias (21 e 22) foi devido a uma perturbação na atmosfera causada por uma frente que não conseguiu adentrar o sul de Minas Gerais (Figura 5) e se deslocou para o oceano no dia 21.


 Figura 5 Análise atmosférica do dia 22/09/11 às 00Z (21 horas local do dia anterior) mostrando um cavado sobre Minas Gerais que é indicado pela linha amarela pontilhada. Fonte: GPT/CPTEC/INPE.




             A Figura 6 mostra o percentual de nebulosidade associado a cada dia do mês. As menores porcentagens de cobertura de nuvens, em geral, ocorreram nos dias em que altas pressões dominavam sobre a região (Figura 1b). Já as maiores coberturas de nuvens estiveram associadas com os dias de passagem de frentes frias sobre Itajubá (10-11, 14 e 24). Em média, a cada dia do mês, cerca de 32% da abóboda celeste esteve coberta por nuvens.


Figura 6 Simulação numérica da cobertura de nuvens média diária na cidade de Itajubá em setembro de 2011.




A trajetória dos ciclones nos oceanos adjacentes a América do Sul é mostrada na Figura 7. Essa figura é obtida através de um programa que identifica mínimos de pressão atmosférica. No mês de setembro, a formação de um ciclone próximo à costa do Brasil no dia 24 favoreceu a formação da frente fria que atuou no mesmo dia sobre o sul de Minas Gerais. Embora na Figura 2 a frente do dia 10 apareça conectada a um ciclone, foi a frente que originou tal sistema.

 
Figura 7 Trajetória dos ciclones nos oceanos que circundam a América do Sul no mês de setembro de 2011. A posição de cada sistema em intervalos de 6 horas é indicada pelos círculos preenchidos. A posição inicial dos ciclones não apresenta marcador. A data de início dos sistemas que se formam próximo à costa brasileira é indicada na figura. Ressalta-se que a figura inclui apenas sistemas com tempo de vida superior a 24 horas.






Resumo informativo sobre o tempo em Itajubá
Programa de Graduação em Ciências Atmosféricas - Instituto de Recursos Naturais – Universidade Federal de Itajubá
n° 12 – mês de referência: Setembro/2011
Desenvolvimento: Profa. Michelle Reboita
Colaboração: Prof. Arcilan Trevenzoli Assireu
       
                     Thomas de Lucas Magalhaes Rosa e Silva
Coordenação: Prof. Marcelo de Paula Corrêa





sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Boletim Meteorológico - Agosto 2011

As condições atmosféricas em Itajubá no mês de agosto de 2011, medidas na estação meteorológica automática localizada na UNIFEI, são apresentadas na Figura 1. Em agosto, a temperatura do ar média oscilou entre 10,3ºC e 21,2ºC (a média foi 18,3ºC). A maior temperatura máxima registrada foi 32,2ºC (dia 30) e a menor temperatura mínima foi 2,7ºC (dia 5). As médias mensais da umidade relativa do ar e da intensidade do vento foram 70,8% e 2,32 km/h (0,65 m/s), respectivamente. Já a direção predominante do vento foi a norte. Em onze dias do mês ocorreu precipitação, contabilizando um total de 43 mm.


Figura 1 Variáveis atmosféricas medidas no mês de agostode 2011 na estação meteorológica automática localizada no campus da Universidade Federal de Itajubá (latitude 22º 24’ 46” e longitude 45º 27’06”): a) temperatura (oC) máxima diária (vermelho), temperatura mínima diária (azul) e média diária da temperatura do ar (verde) a 2 m de altura, b) média diária da pressão atmosférica ao nível médio do mar (hPa), c) direção predominante do vento a 2,5 m de altura, d) totais diários de precipitação (mm), e) média diária da umidade relativa (%) a 2 m de altura e f) média diária da intensidade do vento (m/s) a 2,5 m de altura.



No mês de agosto cinco sistemas frontais frios passaram por Itajubá. A primeira frente fria atuante na região foi registrada no dia 03/08 (Figura 2). A Figura 1 mostra que antes da chegada da frente ocorreu um ligeiro aumento da temperatura média do ar e redução da pressão atmosférica. No dia da ocorrência desse sistema a temperatura e a pressão mostraram padrão inverso ao pré-frontal. Além disso, houve aumento da umidade relativa do ar e chuva. Após a passagem da frente, a massa de ar frio que seguia na retaguarda desse sistema invadiu o sul de Minas Gerais fazendo as temperaturas diminuírem e foi essa massa de ar a responsável pela menor temperatura mínima registrada no mês (dia 05).


  Figura 2 a) Análise atmosférica do dia 03/08/11 às 00Z (21 h do dia anterior) mostrando uma frente fria sobre o Brasil (linha azul com triângulos) e b) análise atmosférica do dia 05/08/2011 às 00Z mostrando a frente em situação semi-estacionária (linha com triângulos azuis e meio-círculos vermelhos). Fonte: GPT/CPTEC/INPE.



A precipitação registrada nos dias 01, 05, 07, 10 e 16 não esteve associada com a passagem de frentes e sim com orvalho. Como à noite a superfície terrestre perde energia para o espaço, o ar próximo à superfície resfria e condensa formando o orvalho (gotículas d’água). Por isso, é comum encontrar a vegetação e as superfícies molhadas ao amanhecer.
O segundo sistema frontal chegou em Itajubá no dia 10/08 (Figura 3). O comportamento da temperatura média do ar e da pressão atmosférica foi similar à do primeiro sistema atuante na região (Figura 1). Entretanto essa frente não favoreceu a ocorrência de chuva. Outra característica distinta do primeiro sistema foi o predomínio de vento de quadrante sul no dia da chegada da frente. É importante destacar que muitos dos sistemas frontais que chegam em Itajubá não produzem vento de quadrante sul apenas enfraquecem a intensidade da componente norte do vento.


  Figura 3 Análise atmosférica do dia 10/08/11 às 06Z (03 horas locais) mostrando uma frente fria sobre o sul de Minas Gerais (linha azul com triângulos). Fonte: GPT/CPTEC/INPE.


A terceira frente fria atuante em Itajubá foi registrada no dia 15/08. Este sistema não causou chuva, mas aumentou ligeiramente a umidade relativa do ar (Figura 1). Antes da passagem da frente foi registrado vento predominante de sul que, provavelmente, foi devido aos ventos da extremidade do anticiclone localizado entre o sul do Brasil e São Paulo (figura não mostrada).
A quarta frente fria do mês chegou no dia 20/08. Antes da atuação desse sistema ocorreu queda acentuada da pressão atmosférica e ligeiro aumento da temperatura média do ar (Figura 1). Como a frente demorou para se deslocar (estava semi-estacionária, (Figura 4), acabou produzindo chuva nos dias 20 e 21. Já a precipitação registrada no dia 23 foi devido à presença de uma área de baixa pressão na região.


Figura 4 Análise atmosférica do dia 21/08/11 às 12Z (09 horas locais) mostrando uma frente estacionária sobre o sul de Minas Gerais. Fonte: GPT/CPTEC/INPE.



A última frente fria atuante no mês de agosto foi registrada no dia 31/08 (Figura 5) e também foi responsável por chuva. O período prévio à chegada desta frente foi marcado por aumento das temperaturas (Figura 1) e por favorecer a maior temperatura máxima do mês (dia 30/08).


Figura 5 Análise atmosférica do dia 31/08/11 às 12Z (09 horas locais) mostrando uma frente fria sobre o sul de Minas Gerais. Fonte: GPT/CPTEC/INPE.



A Figura 6 mostra o percentual de nebulosidade associado a cada dia do mês. As maiores porcentagens ocorreram nos dias 03, 10, 15, 20, 26 e 31 de agosto. Nesses dias a alta nebulosidade esteve associada à passagem de frentes frias pela região, exceto no dia 26, em que a nebulosidade esteve relacionada a um cavado invertido, isto é, uma área de baixa pressão atmosférica. Em média, a cada dia do mês, cerca de 36% da abóboda celeste esteve coberta por nuvens. 


 Figura 6 Simulação numérica da cobertura de nuvens média diária na cidade de Itajubá em agosto de 2011.

  

A trajetória dos ciclones nos oceanos adjacentes a América do Sul é mostrada na Figura 7. No mês de agosto, as condições atmosféricas em Itajubá foram influenciadas apenas por um ciclone que se formou no dia 10/08 associado a um sistema frontal que passava pelo sudeste do Brasil.


 Figura 7 Trajetória dos ciclones nos oceanos que circundam a América do Sul no mês de agosto de 2011. A posição de cada sistema em intervalos de 6 horas é indicada pelos círculos preenchidos. A posição inicial dos ciclones não apresenta marcador. A data de início dos sistemas que se formam próximo à costa brasileira é indicada na figura. Ressalta-se que a figura inclui apenas sistemas com tempo de vida superior a 24 horas.





Resumo informativo sobre o tempo em Itajubá
Programa de Graduação em Ciências Atmosféricas - Instituto de Recursos Naturais – Universidade Federal de Itajubá
n° 11 – mês de referência: Agosto/2011
Desenvolvimento: Profa. Michelle Reboita
Colaboração: Prof. Arcilan Trevenzoli Assireu
       
                     Thomas de Lucas Magalhaes Rosa e Silva
Coordenação: Prof. Marcelo de Paula Corrêa



segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Boletim Meteorológico - Julho 2011

As condições atmosféricas em Itajubá no mês de julho de 2011, medidas na estação meteorológica automática localizada na UNIFEI, são apresentadas na Figura 1. Entretanto, devido a problemas na estação não houve registro de dados entre os dias 05 e 14 de julho. Isso impossibilitou o cálculo das médias mensais das variáveis medidas. Portanto, neste documento será fornecida uma explanação dos sistemas de tempo que atuaram em Itajubá com base na análise de cartas meteorológicas elaboradas pelo Grupo de Previsão de Tempo do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (GPT/CPTEC).

Figura 1 Variáveis atmosféricas medidas no mês de julho de 2011 na estação meteorológica automática localizada no campus da Universidade Federal de Itajubá (latitude 22º 24’ 46” e longitude 45º 27’06”): a) temperatura (oC) máxima diária (vermelho), temperatura mínima diária (azul) e média diária da temperatura do ar (verde) a 2 m de altura, b) média diária da pressão atmosférica ao nível médio do mar (hPa), c) direção predominante do vento a 2,5 m de altura, d) totais diários de precipitação (mm), e) média diária da umidade relativa (%) a 2 m de altura e f) média diária da intensidade do vento (m/s) a 2,5 m de altura. 


De acordo com o GPT/CPTEC, no mês de julho ocorreu a atuação de dois sistemas frontais frios no sul de Minas Gerais: um no dia 04 e outro no dia 22. Na Figura 1 é possível acompanhar a evolução das variáveis atmosféricas desde o período que antecede a passagem da frente no dia 22 até a incursão da massa de ar frio após a passagem desse sistema. Como a frente se manteve praticamente estacionária entre os dias 22 e 23, a nebulosidade desse sistema não permitiu a perda de energia da superfície terrestre e da atmosfera para o espaço, o que contribuiu para o maior valor de temperatura mínima registrado no dia 23 (Figura 1a). Nesse dia também foram registrados os ventos mais intensos da segunda quinzena do mês (Figura 1e). Com o deslocamento da frente (a partir do dia 23), a massa de ar frio invadiu o sul de Minas Gerais contribuindo para o aumento da pressão atmosférica (Figura 1b) e redução das temperaturas (Figura 1a). 
A precipitação registrada nos dias 26 e 27 (Figura 1d), provavelmente, esteve associada ao transporte de umidade proveniente do oceano Atlântico para o sul de Minas Gerais. Já no dia 30, uma área de baixa pressão sobre tal região pode ter contribuído para movimentos ascendentes na atmosfera, formação de nuvens e, consequentemente, precipitação. 
Nos dias sem registro de dados (Figura 1), as cartas do GPT/CPTEC mostram predomínio de uma massa de ar frio no sul de Minas Gerais após a passagem do sistema frontal do dia 04 (Figura 2) e, após o enfraquecimento desse sistema, houve a atuação do setor oeste do Anticiclone Subtropical do Atlântico Sul na região (Figura 3). Esses sistemas podem ter contribuído para dias com céu claro. 


 Figura 2 Análise atmosférica nos dias 07 (a) e 08 (b) de julho às 15 horas local. Estas análises mostram a atuação de uma massa de ar frio sobre o sul e sudeste do Brasil que é indicada pelas linhas amarelas. Fonte: INPE-CPTEC-GPT.


 Figura 3 Análise atmosférica no dia 13/07 às 3 horas local. A análise mostra a atuação do setor oeste do Anticiclone Subtropical do Atlântico Sul sobre o leste do Brasil e estendendo-se do norte do Rio Grande do Sul até Pernambuco. Tal sistema de alta pressão é identificado através das linhas amarelas. Fonte: INPE-CPTEC-GPT.



A Figura 4 mostra o percentual de nebulosidade associado a cada dia do mês. A maior porcentagem foi registrada no dia 04 o que pode estar associado com a passagem da primeira frente fria do mês pela região. A maior nebulosidade do dia 22, comparada à dos três dias anteriores, pode justificar o valor mais elevado de temperatura mínima no dia 23. Já que a temperatura mínima ocorre por volta do amanhecer, a nebulosidade do dia 22 pode ter impedido a perda de energia para o espaço, implicando em maior temperatura mínima no dia seguinte.

Figura 4 Simulação numérica da cobertura de nuvens média diária na cidade de Itajubá em julho de 2011.



A trajetória dos ciclones nos oceanos adjacentes à América do Sul é mostrada na Figura 5. De acordo com a figura, nenhum ciclone influenciou as condições atmosféricas em Itajubá no mês de julho.


Figura 5 Trajetória dos ciclones nos oceanos que circundam a América do Sul no mês de julho de 2011. A posição de cada sistema em intervalos de 6 horas é indicada pelos círculos preenchidos. A posição inicial dos ciclones não apresenta marcador. A data de início dos sistemas que se formam próximo à costa leste da América do Sul é indicada na figura. Ressalta-se que a figura inclui apenas sistemas com tempo de vida superior a 24 horas. Mais informações sobre ciclones podem ser obtidas em www.grec.iag.usp.br.




Resumo informativo sobre o tempo em Itajubá
Programa de Graduação em Ciências Atmosféricas - Instituto de Recursos Naturais – Universidade Federal de Itajubá
n° 10 – mês de referência: Junho/2011
Desenvolvimento: Profa. Michelle Reboita
Colaboração: Prof. Arcilan Trevenzoli Assireu
      Thomas de Lucas Magalhaes Rosa e Silva
Coordenação: Prof. Marcelo de Paula Corrêa

Contato: cat.itajuba@unifei.edu.br

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Temperaturas mínimas no início de junho

No dia 05 de junho foi registrado 6,6oC e no dia 06, a mínima do mês (até o presente) de 3,6oC, com sensação térmica de 1,7°C. A passagem de uma frente fria no final do dia 04 de junho com o posterior estabelecimento de uma alta pressão, caracterizada por uma massa de ar frio na sua retaguarda, contribuíram para a redução da temperatura, juntamente com o intenso resfriamento radiativo noturno da superfície. Muita gente reclamou do frio durante a festa junina da Unifei. Durante a festa a temperatura oscilou entre 10 e 12°C, entre as 19 e as 22h.
Com enfraquecimento da alta no dia 07, as temperaturas voltaram a subir. Entretanto, neste último final de semana as temperaturas voltaram a cair com registros de até 5,8°C no dia 11. De qualquer modo, as temperaturas continuam baixas devido às características da estação vigente.

Boletim Meteorológico - Maio 2011

As condições atmosféricas em Itajubá no mês de maio de 2011, medidas na estação meteorológica automática localizada na UNIFEI, são apresentadas na Figura 1. Em março, a temperatura do ar média oscilou entre 13,7ºC e 20,0ºC (a média foi 17,4ºC). A maior temperatura máxima registrada foi 28,4ºC (dia 06) e a menor temperatura mínima foi 6,3ºC (dia 30). As médias mensais da umidade relativa do ar e da intensidade do vento foram 78% e 0,55 km/h (0,15 m/s), respectivamente. Já a direção predominante do vento foi a norte. Em treze dias do mês ocorreu precipitação, contabilizando um total de 27,2 mm.


Figura 1 Variáveis atmosféricas medidas no mês de maio de 2011 na estação meteorológica automática localizada no campus da Universidade Federal de Itajubá (latitude 22º 24’ 46” e longitude 45º 27’06”): a) temperatura (oC) máxima diária (vermelho), temperatura mínima diária (azul) e média diária da temperatura do ar (verde) a 2 m de altura, b) média diária da pressão atmosférica ao nível médio do mar (hPa), c) direção predominante do vento a 2,5 m de altura, d) totais diários de precipitação (mm), e) média diária da umidade relativa (%) a 2 m de altura e f) média diária da intensidade do vento (km/h) a 2,5 m de altura.

A partir da segunda quinzena de maio as temperaturas e a umidade relativa começaram a diminuir, enquanto que a pressão atmosférica, a aumentar (Figura 1). Tais características da atmosfera estão associadas com o caminho aparente do sol ao longo do ano. De meados do outono a meados da primavera as latitudes subtropicais e altas do Hemisfério Sul têm um menor aquecimento solar do que as do Hemisfério Norte, o que justifica o declínio das temperaturas. Nesta época do ano, o Anticiclone Subtropical do Atlântico Sul (ASAS), além de estar mais intenso, se prolonga para oeste atuando sobre o sudeste do Brasil (Figura 2). Este sistema contribuiu para as maiores pressões atmosféricas mostradas na Figura 1c, bem como para a redução da umidade relativa (Figura 1e) e ausência de precipitação (Figura 1d), já que inibe os movimentos ascendentes na atmosfera que são importantes para a formação de nuvens.

Figura 2 Análise da atmosfera no dia 08 de maio às 12 UTC (9 horas local). As linhas amarelas representam a pressão atmosférica. Com isso é possível notar a presença do ASAS sobre a região sudeste.Fonte: CPTEC/INPE.

Dos treze dias com precipitação no mês de maio, apenas dois merecem destaque devido à ocorrência de totais mais elevados: dia 1º e dia 15 (Figura 1d). No primeiro caso, a proximidade de uma frente fria (Figura 3) induziu a ocorrência de ventos de nordeste que ao transportarem calor e umidade para Itajubá favoreceram a ocorrência de precipitação. De acordo com o GPT/CPTEC, a frente atuou no dia 02 no sul de Minas Gerais.

Figura 3 Análise da atmosfera no dia 1º de maio às 18 UTC (15 horas local). As linhas azuis com triângulos indicam a localização de frentes frias. Fonte: CPTEC/INPE.

A chegada da frente em Itajubá não mudou a direção do vento para quadrante sul como é observado na maioria dos casos. Entretanto, nos dias posteriores as temperaturas diminuíram e a pressão atmosférica aumentou o que caracteriza a incursão de uma massa com ar mais frio do que o predominante na região. No dia 15 de maio uma área de baixa pressão atmosférica sobre São Paulo e Minas Gerais produziu instabilidade atmosférica, muitas nuvens e precipitação (Figura 4).

No final de maio ocorreu a passagem de mais um sistema frontal frio na região. A frente atuou no dia 28 contribuindo para mudança da direção do vento de quadrante norte para sul, queda de temperatura após sua passagem e aumento da pressão atmosférica.

Figura 4 a) Análise da atmosfera no dia 15 de maio às 18 UTC (15 horas local). Nessa figura a área de baixa pressão sobre a região sudeste do Brasil é indicada com uma linha amarela pontilhada. b) Imagem realçada do  satélite GOES-12 no mesmo dia e horário de (a) mostrando regiões de nuvens sobre São Paulo e o sul de Minas Gerais. Fonte: CPTEC/INPE.

Com o predomínio do ASAS sobre a região sudeste no mês de maio, a cobertura de nuvens no céu diminuiu em relação aos meses anteriores. A Figura 5 mostra o percentual de nebulosidade associado a cada dia do mês e indica o declínio das porcentagens na segunda quinzena do mês. Em média, a cada dia do mês, aproximadamente 32% da abóboda celeste esteve coberta por nuvens.

Figura 5 Simulação numérica da cobertura de nuvens média diária na cidade de Itajubá em maio de 2011.

A trajetória dos ciclones nos oceanos adjacentes a América do Sul é mostrada na Figura 6. Essa figura é obtida através de um programa que identifica mínimos de pressão atmosférica. A área de baixa pressão que causou chuvas em Itajubá no dia 15 evolui para um ciclone como mostra a Figura 6. Esse foi o único sistema formado próximo ao sudeste no mês de maio.

Figura 6 Trajetória dos ciclones nos oceanos que circundam a América do Sul no mês de maio de 2011. A posição de cada sistema em intervalos de 6 horas é indicada pelos círculos preenchidos. A posição inicial dos ciclones não apresenta marcador. A data de início dos sistemas que se formam próximo à costa brasileira é indicada na figura. Ressalta-se que a figura inclui apenas sistemas com tempo de vida superior a 24 horas.


Resumo informativo sobre o tempo em Itajubá
Programa de Graduação em Ciências Atmosféricas - Instituto de Recursos Naturais – Universidade Federal de Itajubá
n° 9 – mês de referência: Maio/2011
Desenvolvimento: Profa. Michelle Reboita
Colaboração: Prof. Arcilan Trevenzoli Assireu
Coordenação: Prof. Marcelo de Paula Corrêa

Contato: cat.itajuba@unifei.edu.br

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